Rotina que pesa: como o excesso de trabalho afeta o cérebro e aumenta a ansiedade

O excesso de demandas pode desencadear ansiedade e afetar a saúde mental dos profissionais, que precisam manter atividades que apoiem o bem-estar.

Como o excesso de trabalho pode aumentar a ansiedade

Ao ocorrer com frequência e intensidade, a ansiedade pode interferir nas atividades e na rotina da pessoa, e na vida profissional esse estado não é diferente.

Quando o sistema de alerta permanece ligado de maneira acentuada por causa de prazos, incertezas e pressão, efeitos como esgotamento mental, dificuldade de concentração e a sensação de que “isso não vai dar certo” atrapalham a rotina e impactam a performance. 

Segundo evidências da neurociência — campo científico que estuda o sistema nervoso, especialmente o cérebro —, a ansiedade pode ser influenciada por diferentes fatores, e a sobrecarga no trabalho é um deles, podendo ser esse apenas o início de um quadro de sofrimento psíquico que, quando persistente, pode estar associado a problemas como a síndrome de burnout e a depressão.

E os dados sobre saúde mental são preocupantes no Brasil. Segundo levantamento com dados oficiais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre janeiro e março de 2026  o país registrou 105.874 afastamentos de profissionais por questões psicológicas.  

Os números apresentados mostram que a saúde mental precisa de atenção e que a ansiedade crônica não pode ser vista como uma “frescura”, mas sim como uma resposta biológica que pode comprometer foco, memória, tomada de decisão e criatividade, justamente as funções mais exigidas no ambiente corporativo. 

Assim, lidar com esse modo de prontidão constante pode ser um passo importante para recuperar o equilíbrio emocional.

Bora entender como manter a mente equilibrada em meio a tantas demandas? 

Como a ansiedade pode ser influenciada pela sobrecarga no trabalho?

A sobrecarga no trabalho pode desencadear ansiedade quando o cérebro passa a interpretar o excesso de demandas, prazos, cobranças e incertezas como uma ameaça constante, mesmo que não exista um perigo imediato.

Nessa situação, o cérebro reage da seguinte maneira: a amígdala, responsável por identificar possíveis ameaças, entra em ação e coloca o corpo em estado de alerta, desencadeando a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol.

Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal, região localizada na parte da frente do cérebro e envolvida em funções como atenção, planejamento, controle das emoções, memória de trabalho e tomada de decisões, atua na avaliação da situação e na regulação dessas respostas.

Quando a ansiedade se prolonga, porém, esse equilíbrio pode ser prejudicado. Com a amígdala constantemente mobilizada para detectar ameaças, o funcionamento de algumas funções do córtex pré-frontal pode ser afetado. 

Isso ajuda a explicar por que uma pessoa ansiosa pode ter mais dificuldade para se concentrar, organizar os pensamentos, tomar decisões e lidar com imprevistos.

A partir disso, dúvidas pairam na cabeça do profissional. É o famoso “e se?”:

  • “E se eu não conseguir entregar?”
  • “E se eu cometer um erro?”
  • “E se não der tempo?”
  • “E se meu trabalho não for reconhecido?” 

Com a tensão permanente, o cérebro direciona mais energia para a autoproteção e menos para funções fundamentais para um rendimento satisfatório no trabalho, como concentração, memória, planejamento, criatividade e tomada de decisão. 

Por isso, quem está ansioso e estressado pode sentir dificuldade para realizar tarefas que normalmente faria com facilidade. É aí que fica o paradoxo: não se trata de desinteresse, mas justamente do excesso de esforço mental que está consumindo a capacidade de resposta.

A importância das atividades voltadas para o bem-estar 

Praticar exercícios, meditar, dedicar tempo a um hobby, dormir adequadamente, reduzir o excesso de estímulos digitais e manter conexões sociais são formas de criar momentos de calma e presença ao longo da rotina. 

Com práticas consistentes, é possível favorecer o fortalecimento do córtex pré-frontal e ajudar a regular a atividade da amígdala. Essas mudanças estão relacionadas à neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de se adaptar e criar novos padrões.

Quanto mais frequentemente uma pessoa vivencia estados de relaxamento, prazer e segurança, mais o cérebro pode aprender a acessá-los, favorecendo a remodelação e o desenvolvimento dos circuitos emocionais.

Algumas estratégias estudadas pela neurociência para equilibrar a mente, ajudando o cérebro a responder de maneira mais saudável, são:

  • Respiração diafragmática: respirar de forma lenta e profunda ajuda a diminuir os batimentos cardíacos, relaxar o corpo e sinalizar ao cérebro que não há uma ameaça imediata;
  • Mindfulness e meditação curta: ajudam a acalmar a mente, melhorar a atenção e aumentar a capacidade de lidar com pensamentos e emoções;
  • Exercício físico regular: ao liberar endorfina e outras substâncias que podem contribuir para a saúde e o funcionamento do cérebro, atividades físicas como corrida, caminhada ao ar livre, natação e musculação proporcionam a melhora do humor e o aumento da sensação de bem-estar;
  • Sono adequado: ajuda o corpo e a mente a se recuperarem com a regulação dos níveis de cortisol, reduzindo o estresse e melhorando o equilíbrio emocional. 
  • Limitar estímulos digitais: reduzir o excesso de notificações e tempo de tela ajuda a diminuir a sensação de alerta constante e dá à mente momentos para desacelerar, evitando assim o burnout digital;
  • Conexões humanas reais: conversar com pessoas de confiança, trocar experiências e sentir-se acolhido pode ajudar a aliviar a ansiedade e trazer uma sensação maior de segurança e bem-estar. 

Contribuição das empresas para a diminuição da ansiedade dos profissionais 

As empresas têm um papel importante na prevenção da ansiedade relacionada ao trabalho, porque muitos dos fatores que contribuem para esse quadro estão ligados à própria organização do trabalho.

A atualização da Norma Regulamentadora nº1, a NR-1, em vigor desde maio de 2026, reforça essa responsabilidade ao incluir expressamente os riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Assim, é preciso que o time de gestão de pessoas esteja atento ao que afeta a saúde mental dos profissionais, avaliando as condições e a organização do trabalho, com a adoção de medidas de prevenção e controle que transformem a saúde emocional em prioridade.

Isso deve ser feito a partir da análise de dados e mapeamento que permita identificar, de forma preventiva, situações de risco como sobrecarga de trabalho, assédio e falta de suporte. 

No entanto, essa prevenção não depende apenas de processos formais, o que coloca as lideranças também em um papel fundamental, pois são elas que estão lado a lado diariamente com a equipe.

Um líder com um comportamento ansioso acaba por replicar padrões que atrapalham a produtividade e, consequentemente, a saúde mental dos profissionais.

Para evitar que o estresse se transforme em um problema maior, é preciso que haja por parte da liderança, em alinhamento ao time de RH:

Benefícios corporativos e a promoção do bem-estar 

Cuidar da saúde mental no trabalho não significa apenas evitar o excesso de tarefas ou aprender a lidar com a pressão.

Encontrar um ambiente de trabalho que dê condições de se desconectar, descansar, se divertir, cuidar da saúde e encontrar momentos de prazer fora do expediente é uma maneira de se sentir valorizado como profissional.

É nesse ponto que os benefícios corporativos voltados ao bem-estar e ao lazer podem fazer diferença e contribuir para uma rotina mais equilibrada.

Ao ampliar o acesso a atividades físicas, momentos de lazer, cuidados com a saúde e outras experiências que ajudam a desacelerar, esses recursos dão ao profissional mais possibilidades de incluir o autocuidado na rotina, funcionando como um apoio adicional para que o trabalhador tenha mais oportunidades de cuidar de si também fora do ambiente profissional.

Um exemplo é a parceria entre a Alelo e a TotalPass, que permite aos clientes Alelo acesso a academias, estúdios e aplicativos voltados à saúde física e ao bem-estar, com centenas de áudios de meditação e milhares de psicólogos disponíveis para consultas on-line, combinando assim diferentes possibilidades de cuidado.

Gostou desse conteúdo que une carreira e valorização da saúde mental? No blog da Alelo, você encontra outras dicas para fortalecer sua vida profissional e deixar a rotina de trabalho mais leve, prática e estratégica. 

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FAQs - Perguntas frequentes

 

O excesso de trabalho pode aumentar a ansiedade?
Sim. A sobrecarga de demandas, prazos, cobranças e incertezas pode contribuir para a ansiedade, especialmente quando o cérebro passa a interpretar essas situações como uma ameaça constante. No entanto, a ansiedade é influenciada por diferentes fatores, e o trabalho é apenas um deles.

 

O que acontece no cérebro quando a ansiedade se prolonga?
A amígdala, região envolvida na identificação de possíveis ameaças, pode permanecer mais mobilizada, mantendo o corpo em estado de alerta. Ao mesmo tempo, o funcionamento de algumas funções do córtex pré-frontal pode ser afetado, o que ajuda a explicar dificuldades de concentração, planejamento, tomada de decisões e organização dos pensamentos.

 

Quais atividades podem ajudar a aliviar o estresse e promover o bem-estar?
Exercícios físicos, meditação, mindfulness, sono adequado, redução do excesso de estímulos digitais e manutenção de conexões sociais são algumas estratégias que podem contribuir para uma rotina mais equilibrada e ajudar a lidar melhor com o estresse.

 

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